LOST SOUL
(¯`·._.·[CaPiTuLo
DeZ]·._.·´¯)
Angie, Zuki e Kaoriné caminhavam pela floresta há três dias, parando apenas para comer e descansar um pouco...
– Kaoriné, vamos parar um pouco – pediu Zuki – Angie não esta muito bem!
Angie olhou envergonhada para os dois, que a encaravam preocupados... sim era verdade... não estava se sentindo nada bem... seu corpo todo doía e estava muito cansada... não foi acostumada a andar tanto...
– Você tem razão!... é melhor pararmos, e já esta anoitecendo... amanha continuamos! – falou Kaoriné procurando um local para descansarem.
– Não, eu posso continuar! – afirmou Angie.
Kaoriné sorriu: - Não é bom forçar... a floresta pode ser traiçoeira se estiver cansada... pode se perder... vamos ficar aqui!
Angie agradeceu, comeram e conversavam sobre o restante da viagem...
– ... se caminharmos por menos de um dia chegaremos ao limite desta floresta com o lago Kizae... – Kaoriné fez uma expressão de duvida e preocupação.
– O que foi?! – indaga Zuki.
– ...é que neste lago, só tem uma maneira de atravessar: a nado!... ele é extenso e perigoso... nele existem os kizaes, são pequenos demônios aquáticos canibais que vivem no fundo do lago... o problema é que eles atacam em bando e são muitos!
– Então como atravessamos?! – questionou Angie.
– ... temos que ser cuidadosos... temos que ir suavemente, sem fazer movimentos bruscos na água... na verdade, não é difícil... o problema esta na outra margem!
– Mas, é outra floresta! – afirma Angie mostrando o mapa - ... Floresta Miej, pensei que nas florestas não teríamos problemas!
– sim, realmente teríamos menos problemas... porém esta floresta é bem diferente das outras... pelo o que Meandras me contou, quase todos que entraram não saíram...
– Então é esta floresta! – exclamou Zuki – Mohaket enviou vários cavaleiros e guerreiros para pegar algo... um tesouro, eu acho!... mas, nenhum retornou...
– A floresta tem um guardião... que fica no centro da floresta, ele guarda um poderosíssimo espelho mágico...
– Um espelho?!... hum... como não estamos atrás do espelho, o guardião nos deixaria passar, certo?! – pergunta Angie.
– Sinceramente, eu não sei... – responde Kaoriné – pelo o que sei, somente Ofrod passou por lá, e saiu vivo... ele veio de uma floresta anterior a esta... passou por este caminho até chegar a Meandras...
– Mas, ele não disse nada sobre o ser ou sobre o espelho?! – questiona Zuki.
– não... Ofrod diz que não se lembra do que aconteceu... Agora chega de conversa! Fico de vigia, depois Zuki, e até o amanhecer Angie, certo?!
Ambos concordaram, e adormeceram instantaneamente no chão... Kaoriné permanece pensativa... o tempo passa e Zuki assume o posto de vigia... ele fica a contemplar a lua... mexe nos pesos de sua túnica...
– Porque Mohaket lançou essa maldição em mim?! – sussurrou consigo olhando para o tecido.
– Que maldição, Zuki? – falou Angie no mesmo tom, o assustando – Desculpe se eu te assustei... é que esta na hora de trocarmos...
– tudo bem... estava meio desligado... estava pensando...
– nesta maldição?
– ... é... Mohaket fez isto há muito tempo, que eu nem me lembro... se eu retirar vou morrer de uma forma terrível... foi o que ele me disse... pensei em tira-la varias vezes, mas alguma coisa dentro de mim dizia para não faze-lo... que ainda não era a hora... não entendo porque ele colocou isto em mim... seria mais fácil me matar... deve ter feito para que eu sofresse por mais tempo...
– Zuki, eu também não sei a resposta... mas, será mesmo que ele dizia a verdade sobre você morrer?!... ele dizia isso, provavelmente para te assustar... mas, você tem que decidir se vai retirar ou não... é uma decisão sua...
– Obrigado, Angie... você é uma pessoa muito especial...
– ... por causa de Yoru... – murmurou chateada.
– Não!... não é por causa dela...
Trocaram olhares, Zuki sorria singelamente vendo ela corar, virando o rosto e dizendo para ele ir descansar... Ela observou ele dormir, quando escutou lamentos por toda a floresta... vozes diversas falando ao mesmo tempo, gritando, chorando... era tenebroso... ela estava petrificada... quando levantou-se para chamar Zuki e Kaoriné os lamentos e as vozes cessaram do mesmo modo que começaram... ela permaneceu apreensiva, mas os sons não voltaram...
Na manha seguinte, Angie contou o que ouvira... Kaoriné, tentando permanecer calma aos dois, disse que não era nada... mas, na realidade isso a preocupou muito... Resolveram partir, rumo ao lago Kizae... conforme iam se aproximando do lago, a paisagem ficava mais seca... arvores cinzas retorcidas e sem folhas, o ar mal-cheiroso e pesado e o solo muito seco... Porem, ao chegarem no lago a paisagem modifica-se brutalmente... mostrando um local com grama verde e florido, com arbustos com folhas gigantescas, algumas arvores, e o lago límpido e brilhante...
– É este o lago, Kaoriné?! – pergunta Angie pasma ao ver como era bonito.
– sim... é realmente maravilhoso, e incrivelmente perigoso para os desavisados... nem tudo o que é belo se pode confiar...
Zuki permaneceu calado, estava com calafrios por estar naquele lugar... para ele a paisagem não se modificou nem um pouco... o ar ainda era pesado e fétido... Kaoriné explicou aos dois como iriam atravessar... pegariam de um dos arbustos, uma folha, colocariam próximo a margem, e deitariam nela... a correnteza faria o resto, chegariam a outra margem sem problemas... a travessia foi tranqüila... Zuki e Angie, quando chegaram a margem oposta, observavam o lago, enquanto que Kaoriné olhava a floresta Miej... árvores longas e grossas alinhadas perfeitamente, formando um circulo por toda a extensão da floresta, as folhas coloridas, de variados formatos e tamanhos...
– ... Vamos ter que andar um atrás do outro! – comentou Kaoriné com o rosto franzido, chamando a atenção dos dois, que ficaram impressionados com a simetria das árvores...
– ... Como vamos fazer para passar por elas?! – indagou Zuki – são tão juntas!
– Vamos ter que ir um atrás do outro se esgueirando entre elas... – explicou Kaoriné.
De repente, ouvi-se grunhidos estridentes vindos do lago... viraram-se e viram milhares de kizaes avançando para ataca-los... tinham olhos reduzidos, a cabeça grande com espinhos por toda extensão, dentes afiadíssimos, e eram de cor amarelo-mostarda... Kaoriné grita aos dois que a seguissem rapidamente... eles entram na Floresta Miej... a passagem não era tão estreita quanto pensavam, mas ainda tiveram que se apoiar para atravessar a orla... mais adiante, viram uma clareira... eles pararam e olharam para trás, viam os kizaes tentando entrar na floresta... felizmente foram impedidos por uma barreira mágica feita pela própria floresta...
– Como?! Como existe essa clareira?!... não a vimos! – exclamou Kaoriné ofegante pela fuga.
– ... é uma ilusão... – informou Zuki – a simetria das árvores nos causou a impressão que toda ela era assim...
– é deve ser mesmo! – disse aliviada Kaoriné por terem escapado dos kizaes.
Angie corre o olhar pela clareira, e percebe que ocorre a mesma coisa... com uma pequena diferença... ou melhor três... existem três passagens mais abertas... – Kaoriné, Zuki olhem!
Eles vêem, Kaoriné suspira dizendo: - vamos todos por um mesmo caminho... mas qual?! – indagou-se, e olhando para Angie... – qual você escolheria?
Ela refletiu, observou melhor os caminhos, e pronunciou: - o da direita, me deu calafrios... da esquerda, senti um vazio... na verdade não consegui sentir nada... e o do centro senti muita tristeza, e eu escolheria este!
– Porque?! – perguntou Zuki curioso.
– não sei... mas não confiei no da esquerda porque não senti nada vindo dele... e o da direita, fiquei com medo... muito medo... por isso escolhi este...
Kaoriné fitou atentamente Angie, e pensou: - fiz bem em ter pedido a ela que escolhesse o caminho... Meandras me contou como Yoru tinha um forte dom de premonição!... e comunicou: - Vamos por este então!
– tem certeza?! – disse exasperada – eu não tenho certeza!
– Kaoriné tem razão, Angie! – comentou Zuki – confiamos em você!
– Bom, já que esta tudo certo, vamos?!... vou primeiro, depois você Angie, e fechando Zuki...
Assim que Kaoriné passou, as árvores se fecharam, repelindo Angie e Zuki... que tentavam entrar...
– Abra! Abra! Kaoriné?! Responda! – gritavam chamando pela amiga, não tendo retorno de seus apelos... Angie nervosa chora e senta no chão... Zuki se aproxima tentando acalma-la...
– ... Ela esta bem, Angie... não se preocupe... ela vai nos encontrar no fim da floresta... tenho certeza... mas, teremos que pegar outro caminho...
– ... você tem razão... vamos pelo da esquerda então... mas, e se acont... – ela se calou quando sentiu que ele a segurava na mão fortemente, e a encarando nos olhos disse:
– Não vou deixar que nos separem!
Eles se foram, Zuki ia na frente, seguido por Angie... quando se aproximaram mais da passagem, surgiram galhos os prendendo... tentavam separa-los... mas Zuki não a soltava... ele era puxado para o caminho da esquerda e Angie para o lado oposto... os galhos batiam nos braços e mãos de Zuki, fazendo-os sangrar... Ela vendo isso soltou suas mãos, para que ele não sofresse mais... ele ainda tentou segura-la, porem não foi possível... ele grita por ela e são selados pelos caminhos...
Kaoriné, após ter entrado pela passagem foi arremessada, caindo inconsciente... só acordando um tempo depois...
– Droga de floresta! – esbravejou – será que eles estão bem?! – levantou-se lentamente e observou o local... não estava mas em Miej... as árvores eram menores, bem espaçadas, o vento soprava suave, e existia uma trilha... – com certeza não estou mais na floresta... mas, aonde estou?!
Resolveu seguir o caminho, não andou muito... chegou a uma escadaria, tendo em seu topo uma espécie de portal de madeira... ela subiu cautelosamente a escada, ao chegar no final estancou com a visão... uma grande área verde, com uma casa de bambu e madeira ao centro... uma espécie de templo... saía da casa um homem jovem com longos cabelos ruivos amarrados, pele clara, com um quimono escuro... junto, saiu uma mulher, também jovem, com cabelos escuros soltos, pele clara, de quimono azul-claro, com uma linda criança ruiva em seus braços...
– ... são... meus... pais! – gaguejou pálida... e vendo que se aproximavam, desmaiou de emoção e nervoso.
Ela acorda, ouvindo sons... abre os olhos e vê que eles falam com ela... mas, ela não compreende... fecha os olhos novamente e chora... e ouve:
– O que foi senhorita?! – a mulher pergunta preocupada – esta bem?!
Ela os observa... como entendeu o que ela disse?!... viu o homem e a criança com os semblantes também preocupados... ainda emocionada respondeu: - estou... bem... me desculpem!
– Que bom que esta bem! – falou o homem – ficamos preocupados quando a vimos desmaiar...
Ela não se contendo abraçou a mulher... que não entendeu a reação dela, mas correspondeu ao abraço... sentiu uma forte ligação com essa estranha mulher...
– Esta bem mesmo?! – insistiu a mulher, Kaoriné assentiu e se afastou do abraço – meu nome é Toragami Mizuki, este é meu esposo Toragami Yojhi... e a pequena, minha filhinha Yumi... e qual é seu nome?!
– ... meu nome é Kaoriné – respondeu vendo a expressão de espanto do casal - ... disse algo de errado?!
– ... não, senhorita Kaoriné! – explicou Yojhi – é que tivemos uma filha com este nome... ela desapareceu quando tinha três anos... ela foi nossa primeira filha...
– sinto muito... há quanto tempo ela desapareceu?! – perguntou emocionada.
– neste ano fazem cinco que ela se foi... – respondeu mecanicamente Mizuki.
Kaoriné sentiu que seu coração iria explodir de tanta tristeza... - haviam se passado apenas cinco anos... como?!... ela tem aproximadamente cinqüenta... como?!... - Perguntava-se desnorteada... - mas é tão bom poder vê-los!... toca-los... mas, isto não era real... não poderia ser... deve ser outra ilusão da floresta... – pensava... depois que acordasse não os veria mais...jamais iria ver seus pais novamente... chorou... queria ficar... queria abraça-los...
– ... eu... sou a filha de vocês que desapareceu...
Eles se levantaram indignados e surpresos...
– Porque você diz uma coisa dessas?! – gritou Mizuki.
– Sofremos muito com isso! Não zombe de nosso sofrimento! – advertiu Yojhi.
– ... Não estou mentindo! – disse em prantos - ... eu desapareci naquela floresta... antes da escada!... uma luz forte me puxou e me levou para um outro mundo... vivi por cinqüenta anos lá... e hoje, não sei porque vim para cá...ou melhor, eu sei... queria muito vê-los novamente... muito mesmo... – ainda chorando vendo os rostos do casal... também em prantos - ... mas, esta não é a minha realidade... perdoem-me papai, mamãe por tê-los feito sofrer... eu preciso ir embora... mas... mas...
Eles a abraçaram fortemente... Yumi também se aproximou... Kaoriné sentiu beijos e abraços... fechou os olhos, abrindo-os quando não sentiu sua família perto de si... estava novamente na floresta Miej... na saída dela... ela controlou seu choro, acalmando-se e refletindo: - ... agora eu entendi... o que aprisiona nesta floresta... são lembranças e ilusões... a passagem terá que ser individual... droga!
Zuki esmurrava as árvores fechadas, gritando por Angie... suas mãos começavam a sangrar, e ele para e começa chorar...
– ... Angie!... Droga!... responda!... como vou ajuda-la preso aqui! – ele determinado a procura-la, observou o local, era igual aonde se encontravam, mas com um caminho apenas... não hesitou, e se foi... Conforme andava ia escurecendo, até que ele não enxergasse mais nada... – O que aconteceu?!... não vou conseguir sair daqui nesta escuridão!... não pode ter anoitecido!
– ... é você tem razão... realmente não anoiteceu... – respondeu uma voz masculina, que aparentava estar próximo.
– Quem esta aí?!
Das sombras surge um vulto prateado... que Zuki não consegue definir quem é... mas, sua energia era conhecida...
– Não sabe quem sou eu, Zuki?
– Não... e como sabe o meu nome?!
– Sei tudo sobre você... sei mais que você, na verdade... sei o seu verdadeiro nome...
– Como você sabe sobre o meu passado?!... Quem é você?!