LOST SOUL

(¯`·._.·[CaPiTuLo DoIs]·._.·´¯)

 

Angie estava naquela prisão a duas manhãs, quando o rapaz veio ajuda-la... Na terceira manhã, ouviu gritos terríveis vindos do outro lado da parede... Angie sofria ao escutar os gritos de dor... eles entravam em sua mente, alma e coração... e ela começou a chorar novamente, quando percebeu que os gritos eram do rapaz que a ajudara... Angie queria ajudar o rapaz, ela precisava ajuda-lo!... sentia isso... e numa tentativa inútil, tentou se libertar, mas como estava presa aos grilhões nem saiu do lugar, ferindo-se ainda ao tentar... Depois de um tempo os gritos cessaram, e Angie pensou que o rapaz havia morrido, uma raiva inexplicável tomou sua alma e coração, e gritou... seu grito ecoou por toda a prisão... – Não morrer neste lugar!... Angie tentava reunir todas suas forças em relação a este pensamento... Tinha que sobreviver para descobrir porque queriam mata-la... Quando, um ruído vindo da parede em que ela se encontrava, se tornou um sussurro...

            – Moça! Você esta bem?! – sussurrou o rapaz - ... sou a pessoa que te ajudou, lembra-se?!

            Angie ouvindo aquela voz sentiu uma alegria inexplicável, como a raiva que havia sentido antes...

            – Estou bem!... Mas, e você?!... eu ouvi gritos agora pouco! – disse Angie, também sussurrando.

            – Ah! Isso!... Não se preocupe... já me acostumei... – disse o rapaz melancolicamente – ... mas, me diga o que você fez de tão grave para receber tanto ódio do senhor Mohaket?!... só a mim ele tratava desse jeito... tão cruel...

            – Você apanha todos os dias?! – disse Angie com muita tristeza – porque esse monstro faz isso?!... – disse indignada – eu... não fiz nada... não pelo que eu saiba... ele me acusou de coisas terríveis... quem é Yoru, afinal?!

            – Se acalme... não apanho todos os dias... só quando o senhor Mohaket vem aqui... o que não é sempre... e eu ouvi tudo daqui... meu confinamento é dentro desta parede... nem os guardas sabem da minha existência aqui... vivo aqui desde que eu me lembro... e só o senhor Mohaket e alguns guardas de sua confiança sabem que estou aqui... por esse motivo, por nunca ter saído daqui também não sei dessas coisas..., mas isto me ajuda, porque se os guardas soubessem de minha existência eu morreria de fome e sede...e é o que quer o senhor Mohaket...

            – Você nunca tentou fugir?! – perguntou Angie – ...e então é por isso que apanha?!... por não morrer?!

            – Acho que seja isso... já tentei fugir varias vezes... mas, você não viu aonde estamos, não é?! – respondeu o rapaz desanimado - ... estamos sob um vulcão, abaixo de nós só existe lava... por isso aqui é tão quente... a nossa única saída é lá em cima, que é guardada fielmente por furns e os guardas...

            – O que são furns? – perguntou Angie.

            – De onde você veio?! – perguntou intrigado o rapaz – ... Ah! É mesmo! Desculpe-me... Esqueci que você não é deste mundo... são homens de pedra que nunca dormem...

            – O que?!... então não há esperanças de fuga?! – disse Angie desanimada - ... vou morrer mesmo daqui alguns dias... – Angie deprimida começa a chorar novamente.

            – ... não desanime!... vivo aqui a mais tempo... e tenho uma forte esperança de que você não vai morrer tão cedo... e é o que desejo também – falou o rapaz – desde que você chegou se passou três manhãs... creio que eles vão te levar antes de alosyr terminar...o que vai ser amanhã... pois se não, não conseguirão chegar no tempo em que o senhor Mohaket ordenou... são seis dias de caminho... e pelo o que eu sei, Vandrast não pode estar na presença de yanget...

            – Ah?! al... o que?! – perguntou Angie – o que significa tudo isso?!

            – Vou explicar... – disse o rapaz pacientemente - ... nosso mundo é contado em ciclos da lua, que são Alosyr, é quando fica claro por três dias, não escurece; no terceiro dia a lua fica inteira no céu, é a Aeshy, dura mais seis dias, durante esses seis dias a lua vai diminuindo para formar Yanget, passa-se mais seis dias, e quando o sol se esconde atrás da lua, surge Ulanyr, tudo fica totalmente escuro, dura três dias, após isso a lua começa a desaparecer novamente por mais seis dias, é Yaon, tem o dia e a noite, o que não acontece em Ulanyr, e o ultimo ciclo é o Esret, que a lua cresce durante seis dias para formar novamente Alosyr... entendeu?

            – Mais ou menos... no meu mundo também dividimos pelas fases da lua..., mas pelo o que entendi Alosyr, é no meu mundo o eclipse solar, a Aeshy, lua cheia, Yanget, minguante, Ulanyr, o eclipse lunar, Yaon é a lua nova, e por ultimo Esret, é a lua crescente... acho que é isso! – disse finalizando Angie.

            – Não entendi muito o que você falou, mas deve ser isso mesmo... Sabe aqueles dois homens de cabelos coloridos?

            – Sei... foram eles que me trouxeram pra cá... o que tem eles?!

            – Eles são Magos... o que define a raça de cada um neste mundo, na maioria dos casos, é a cor dos cabelos... os únicos que tem o cabelo tão brilhante e colorido são os Magos... as outras raças, que possuem magia, mas não poderosa quanto a dos Magos, podem ter cabelos coloridos, mas não tem o brilho que eles tem... as raças que não têm magia tem cabelos castanhos, envelhecem e morrem... os Magos são imortais...

            – Nossa!... mas, que impressionante!..., mas então não temos chance alguma contra eles... se são imortais e fazem magia?!...

            – Isso eu não sei... só sei que tem épocas em que eles não saem de maneira nenhuma, permanecem enclausurados em qualquer lugar fechado – disse o rapaz pensativo – a época em que Vandrast não sai é durante o Yanget, e Zeyubon é durante o Esret...

            – Mas porque será?!... Puxa! Estamos conversando já há algum tempo e nem sei o seu nome, e nem porque você esta sendo tão legal comigo...

            – Eu não tenho nome... não pelo o eu saiba... pedi uma vez para que o senhor Mohaket me contasse o meu nome... me arrependi depois... Pode me chamar de Zuki, que significa “o nada”... E o seu qual é?

            – Meu nome é Angie Shobbits... sua história é muito triste... Zuki... – disse Angie pensativa – ... eu não sei porque, mas eu sinto muita paz ouvindo sua voz... parece que te vejo na minha frente... sinto que somos muito amigos... não é estranho?!

            – Eu sinto a mesma coisa... se é estranho não estou me importando... nunca ninguém me chamou de amigo... nunca fiquei tão contente... mas, temos que nos calar agora... acho que esta vindo alguém...

            E Zuki se calou..., Angie ficou muito quieta e ouviu passos fortes ao fundo, mas eles não vinham em direção a ela... iam em direção a Zuki...

            – Tirem ele daí! – gritou uma voz autoritária, que Angie não esqueceria tão cedo, era Mohaket – coloquem isso nele!

            – Não! Por favor, senhor Mohaket! – implorou Zuki.

            – Cala boca! Vou me livrar de duas pragas de uma vez só!... irá morrer daqui a sete dias... não é bom?! Seu sofrimento vai acabar!!! Aha! Aha! – zombou Mohaket – coloquem ele dentro de uma cela e esperem por Vandrast e Zeyubon!

            Depois disso, Angie não escutou mais nada..., e ficou muito apreensiva por Zuki..., mas devido ao cansaço dormiu...

            Ela acordou, quando estava sendo tirados os grilhões e as correntes... Angie estava tão fraca que não conseguiu ficar de pé, e ficou suspensa por dois guardas que a segurava... eles a levavam por uma longa escada, ao final um salão muito grande, onde estavam os dois Magos e um homem totalmente imobilizado, com uma armadura de metal que prendia seus braços e tórax, que era presa a um capacete do mesmo material, com correntes acorrentando seus pés... ele estava sendo carregado também por dois guardas, parecia muito cansado e machucado... Angie logo percebeu quem era... Zuki.., embora não podendo ver seu rosto, sentia que era ele... assim que ela entrou no salão carregada, Zuki fez um esforço muito grande para erguer a pesada cabeça para ver Angie, mas foi impedido pelos guardas que o seguravam...

            – Guardas, coloquem a armadura nesta também! – ordenou Vandrast – e, rápido! Temos pressa!

            – Sim senhor! – responderam os guardas.

            Eles fizeram com que Angie ficasse em pé, e colocaram primeiro os grilhões em seus pés, depois a vestiram com a armadura que prendia o tórax e os braços, e finalizaram fechando a mascara, que tinha apenas duas aberturas para os olhos... Angie sentiu um peso tremendo, que quase caiu para traz, se não fosse pelos guardas que a seguravam... Todos seguiram para fora da prisão, onde aguardavam vários guardas e uma grande carruagem com quatro cavalos, colocaram Angie e Zuki dentro da carruagem um de frente para o outro... Os Magos reuniram todos os guardas presentes, e ordenaram que fossem quinze cavaleiros escoltando a carruagem até o Conselho de Mohaket, em Xintin..., e que chegassem em quatro dias lá, a viagem deveria ser rápida e o mais cautelosa possível... após essas instruções, os Magos entraram na carruagem e partiram...

            Angie e Zuki se olhavam através das aberturas dos olhos, mas Zeyubon percebeu e fechou a abertura, deixando-os na mais completa escuridão...

            – Zeyubon?! – chamou Vandrast – porque Mohaket quis que trouxéssemos este prisioneiro nesta missão?!... Nossa missão é muito importante e perigosa, porque trazer um reles prisioneiro?!

            – Sinceramente, eu não sei Vandrast – disse Zeyubon pensativo - ... mas não creio que este seja um “reles”prisioneiro..., e ele também esta usando a armadura, e Mohaket me pediu para que tomássemos muito cuidado com ele também!

            – Que estranho! – exclamou Vandrast -... O que será que este lixo fez?!... nunca passou por mim!... e olha que sou eu quem manda executar os prisioneiros que vão diretamente contra Mohaket!... E este eu nunca vi!

            – Mesmo?! – disse surpreso Zeyubon - ... pensei que você já o tivesse visto... também nunca o vi... Quando Mohaket ordenou que o levássemos ele já estava com a armadura... muito estranho...

            – Você acha que Mohaket ainda não confia em nós?! – perguntou desconfiado Vandrast.

            – Não sei... creio que sim..., mas esse rapaz me deixa um pouco perturbado...

            – Perturbado?!... como, Zeyubon?!

            – ... É..., me deixa com uma sensação estranha... é inquietante ... não sei porque...

            Após essa conversa, eles não falaram mais nada durante um longo tempo... Permaneceram pensativos..., quando um dos guardas bateu na janela da carruagem...

            – Senhores, estamos saindo das terras de Gonz, e se aproximando da floresta de Meandras... – disse o guarda cavalgando juntamente com a carruagem.

            – Está certo! – disse Zeyubon – fiquem alertas! Temos que passar por esta floresta o mais rápido possível, entendeu?!

            – Sim senhor! – disse o guarda avançando para passar as ordens para os outros guardas.

            – Porque você ordenou que fossemos mais depressa, Zeyubon?! – perguntou Vandrast intrigado.

            – ... Porque esta é a Floresta de Meandras! – disse indiferente Zeyubon - ... não quero ter problemas com ela... só isso!

            – Acha mesmo que ela pode nos causar problemas?!... Não tem chance contra nós! – disse ironicamente Vandrast.

            – ... não menospreze sua força, Vandrast... pode ser que ela não seja tão forte quanto nós... mas algo me diz para sermos cautelosos...

            – Você se preocupa demais com esses elfos idiotas!

            Neste momento, fora da carruagem ouviu-se um grande tumulto, seguidos por uma grande explosão e queda da carruagem... Os dois Magos saíram rapidamente da carruagem deixando Angie e Zuki lá... Angie se machucou com a queda, e Zuki com muito esforço tentou ajuda-la a sentar-se, mas estava muito difícil para os dois, devido à escuridão em que estavam e a pesada armadura... Conseguiram com muito esforço encostar-se à parede da carruagem, e ficaram muito quietos para ouvirem o que estava acontecendo...

            Era uma terrível batalha... surgiram vários homens e mulheres, fortemente armados, das árvores e começaram um ataque contra os guardas, que perderam facilmente devido a grande quantidade do bando... Os dois Magos, em posição de defesa, protegendo a carruagem, vêem um homem muito alto, negro, com cabelo verde, olhos dourados, e orelhas pontudas, aparentando ser muito forte, com uma espécie de cajado-espada em uma das mãos, vindo na direção deles...

            – O que você quer elfo?! – gritou Vandrast exaltado reconhecendo a arma nas mãos do elfo.

            – Dos senhores Magos, somente os prisioneiros! – respondeu ironicamente o elfo.

            – E porque acha que iramos entrega-los tão facilmente?! – perguntou Zeyubon, tendo a certeza de que arma era.

            O elfo apenas sorriu e levantou o cajado-espada em direção ao sol, que brilhou fortemente, surgindo uma pedra azul clara na ponta do cajado...

            – Vandrast! Não olhe para a pedra!! – gritou Zeyubon.

            Mas, seu grito cessou assim que a pedra começou a brilhar fazendo com que os dois Magos caíssem no chão, instantaneamente, adormecidos...

 

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