Yukito corre com lagrimas nos olhos... se lembrando da expressão de Touya... ele corre na direção do parque... Yue surge e sente ainda uma lagrima solitária de Yukito escorrer por seu rosto... ergue suas asas e parte rumo a casa de Eriol... Ele estava sentado em seu jardim, tomando chá... aparentemente o aguardando...
– Boa tarde, Yue...
– ... quero te fazer uma pergunta... você vai me responder?!
Eriol sorri assentindo com a cabeça e convidando-o a se sentar...
– Prefiro ficar de pé...
– E eu, Yue, posso te fazer duas perguntas?!
– Não me importo... faça como quiser... – ele respirou fundo o encarando – Como posso devolver os poderes de Touya?!
– ... Vou te responder quando responder as minhas: porque você quer fazer isto?!
– ... não quero estar preso a ele por ter me ajudado...
Eriol o olha maliciosamente, deixando o anjo atordoado... – Você sabe porque ele fez isso, Yue?!
– Para que eu e Yukito não desaparecêssemos... ele nos disse isso varias vezes... porque pergunta?!
– ... hum... Acha mesmo que foi somente isso?!... Mas, porque será que ele fez isso?!... Que sentimentos o moveram para fazer tal sacrifício?! – vendo a duvida estampada no rosto do guardião, continuou: - vou te contar uma coisa que você não sabe: para fazer este sacrifício de entrega de energia, os dois seres têm que estar ligados... os corações em plena sintonia, com os mesmos sentimentos... amor e carinho, tristeza e dor, saudade e esperança... se não for assim, a troca não funciona!... agora você entende porque ele fez isso?!... ele não quer te perder! Necessita tanto de você quanto de Yukito!
– Fique quieto!! – gritou chorando, e colocando as mãos no rosto, falou nervoso: - não quero escutar isso!!... não quero amar alguém e ser deixado sozinho depois... você morreu... não podia ter morrido... sinto a dor a cada instante... não quero sentir isso de novo!!... E me responda!... responda a minha pergunta!!
O mago abraçou-o, acariciando seus cabelos prateados, e sussurrou emocionado: - Perdão, Yue... perdão pelo o que Clow lhe fez... mas, para conseguir o que você quer, terá que amar Touya com toda a sua existência... terá que se entregar de corpo e alma... A Sakura, já é capaz de suprir a sua existência... pense a respeito, meu anjo... reflita e decida se é isso o que você quer realmente... se quiser conversar, fale com a outra metade de Clow... ele irá te ajudar...
– ... Não existe outra maneira, Eriol?! – perguntou melancolicamente o encarando, se desfazendo do abraço... viu-o negar com a cabeça, e se foi, voando para o local mais alto que conhecia... A torre de Tokyo... se sentou e ficou a observar o pôr-do-sol e o esplendoroso nascer da lua...
Levantou-se, após um tempo, e voou em direção a casa dos Kinomotto... parou em frente da casa tocando a campainha... sabia quem nem Sakura e nem Touya se encontravam... Fujitaka abriu a porta, se espantando com a imponente figura do belo anjo prateado, convidou-o a entrar... Yue guarda suas asas e fica parado no meio da sala apreensivo, esperando uma reação de Fujitaka... ele se senta e convida-o a sentar-se ao seu lado... Yue assim o faz, deitando sua cabeça no colo de Fujitaka, que começou acariciar levemente seus cabelos, e com uma voz suave e preocupada perguntou: - Qual é o seu nome, anjo?
– ...Yue...
–
... significa lua em chinês, é um belo nome... é como você... combina com
você... mas, me diga porque esta tão triste?!
– ... quando eu nasci conheci meu mestre, era uma pessoa a quem eu estimava e amava muito... passamos anos e anos juntos e felizes... eu me alegrava em apenas estar junto a ele... e ele sentia esse carinho, esse amor que eu sentia por ele... numa noite ele disse que me amava também... nesta noite nos amamos... minha primeira e única vez... porque no dia seguinte ele morreu... ele me avisou que iria morrer... não acreditei... não queria acreditar... mas, ele continuou a afirmar... disse que nos confiaria a um novo mestre... e se foi... eu nunca havia sentido tanta dor... tanta solidão... passei anos trancado sozinho dentro do Livro das Cartas... muito só... e com a dor de não poder mais ama-lo, tê-lo perto de mim... e eu não queria sentir isso de novo... – Yue parou seu relato... ele chorava e sentia que Fujitaka também... ele ergueu sua cabeça com as mãos encarando-o... olhos nos olhos... lagrimas escorrendo pelos rostos dos dois...
Fujitaka com voz falha, diz: - ... Meu Anjo... meu belo anjo... como é triste... agora eu me lembro do passado... lembro do sentimento que eu nutria antes de existir como sou hoje... tristeza e muita dor... é esse sentimento que vejo em você agora... sinto muito por esta dor que te causei... mas, existia um outro sentimento... um muito forte... amor... amor por você... foi este um dos motivos para eu existir... encontrar uma maneira de te fazer feliz... No meu sótão têm muitos livros... um em especial... certa vez, meu filho Touya, quando tinha uns dez anos, encontrou este livro e o tocou... ele chorou... foi correndo para os braços de sua mãe, Nadeshiko, a abraçou desesperadamente chorando muito aflito... ela perguntava o que havia acontecido, ele apenas dizia que havia encontrado um anjo muito triste, e que não queria vê-lo chorar... foi a ultima vez que vi ele chorar... naquele momento percebi que ele faria o anjo sorrir... que ele faria o anjo parar de chorar.. Mas, isto custou muito caro para meu filho... ele nunca mais sorriu... ele sentia toda tristeza do anjo... a mesma solidão... passou os anos e nada mudou... decidi então despertar o anjo... quando saiu do livro, estava adormecido... tentei te dar uma aparência mais humana... mas não deu muito certo... Yukito se parece também com um anjo... a minha outra metade... Eriol... pediu para que fosse um da idade de Sakura, neguei-me... o anjo era para Touya... eles necessitavam um do outro... Sakura não precisaria dele... Touya sim... Bem, no dia em que ele conheceu Yukito, ele veio correndo em minha direção me abraçando e sorrindo de felicidade dizendo que havia encontrado novamente o anjo...
– ... então... ele já me conhecia... ele já sabia que eu existia?!
– sim... porque tem medo?!... do que tem medo?!... vejo em seus olhos que o ama também...
– ... tenho medo da solidão... não quero ficar sozinho quando ele morrer..
– Meu anjo... você não se sente só agora?!... não sofra antecipadamente... viva um dia após o outro... viva cada momento como se fosse o único... você já passou muito tempo só, ele também... vejo um futuro longo, e você não viverá para sempre... lembre-se de que todos um dia morrerão, é inevitável... tudo que teve um começo, terá um fim...
Yue abraçou Fujitaka fortemente, e toma a aparência de Yukito...
– Obrigado, senhor Fujitaka...
Ele sorri amavelmente, dizendo: - Venha... vamos tomar um chá, enquanto esperamos Touya...
– E Sakura, não vem?!
– Não, ela esta na casa de Tomoyo, foi dormir lá... e eu acho que Kerberos foi junto...
– O senhor tem todas as lembranças de Clow agora?!
– ... Lembro de algumas coisas... mas, não importa agora... – ele se levanta exasperado – Ah! me esqueci!... tenho que arrumar minhas coisas!
– Porque... vai viajar?!
– sim... tenho uma escavação... parto hoje as dez... você não se importaria se eu fosse terminar?!
– Não, senhor Fujitaka... pode ir... Touya não vai demorar...
Fujitaka assentiu tocou suavemente o rosto de Yukito, e se retirou da sala...
Continua...