...Prelúdio da Solidão...

(¯`·._.·[CAPITULO DOIS]·._.·´¯)

 Michel acordou com Sofia o olhando preocupada, com a mão erguida, provavelmente, para lhe dar outro tapa... ela viu que ele acordara, abaixou a mão, ficando seria como sempre...

 - Eu não te falei para não procura-lo?! – perguntou nervosa.

Sentei no sofá-cama desnorteado... – O que a senhora faz aqui?

 - Primeiro vá ao banheiro e se limpe! – falou me levantando – depois conversamos!

 - Me limpar?! – me aproximei de um espelho e vi meu rosto todo sujo de fuligem, com as marcas das lagrimas que havia derramado... olhei para meu corpo... também estava sujo... como?!... fitei incrédulo Sofia... ela simplesmente me apontou a direção do banheiro... fui, como uma criança obediente... depois do banho, vi que ela me aguardava... estava sentada no sofá, já arrumado, com o rosto tenso...

 - Se eu não estivesse por perto você não estaria mais aqui, sabia disso, mocinho?! – me encarou severamente – você nem imagina com que esta lidando... fique longe para o seu próprio bem... acho que eu já disse isso pra você mais de três vezes... mas você não escuta!

 - O que a senhora quer dizer com isso?!... eu iria morrer por causa de um sonho?!

 - Não disse que você iria morrer... disse que você não estaria mais aqui... você ia ficar com se fosse um vegetal... sem alma... – Michel a encarou espantado e incrédulo – sei que você deve achar que sou louca... – pegou sua bolsa – mas, então me explique como você ficou todo sujo de fuligem, e os lençóis ficaram intactos... sem nenhuma poeirinha?! – abriu a porta, e indo embora falou: - Não pense demais... você já esta atrasado para o encontro com o seu irmão...

Michel olhou para o relógio, uma e meia... Droga!... vestiu-se rapidamente e saiu apressado... enquanto andava pensava no que havia acontecido...

 - O que foi tudo aquilo?! – atravessou a rua – Porque eu estava sujo daquele jeito... será que Sofia me sujou?!... não acho que ela não faria isso... mas então... como?! – pensava muito concentrado... ao lembrar-se de Christian, voltou a sentir uma tristeza inexplicável, seu coração se comprimia por uma angustia tremenda – porque estou assim... só porque o vi daquela maneira... – não conseguiu se segurar, e deixou cair lagrimas de seus olhos... era incontrolável à vontade de chorar... percebeu que se aproximava do restaurante... enxugou os olhos com as mãos, e colocou um óculos escuro... viu o irmão e César...

 - Até que enfim você chegou!! – falou Dennis levantando-se para abraçar o irmão caçula... ele corresponde ao abraço... Dennis estranha... ele quase nunca correspondia... afastaram-se e Dennis o encarou preocupado – aconteceu alguma coisa, maninho?

Michel engoliu seco... se falasse desses sonhos é aí que Dennis teria um motivo para interna-lo... – Não aconteceu nada... – falou tentando ser imparcial, sentou-se e olhou para César que o encarava desconfiado – Boa tarde, César...

 - Boa tarde, detetive... – olhou para Dennis, e indagou descontraído – porque não tira os óculos, Michel?

 - Droga! Ele percebeu! – pensou irritado... respondeu: - Não vou tirar... acabei de acordar e estou com os olhos vermelhos...

- Deixa-me ver! – pediu Dennis – pode ser conjuntivite...

Michel tirou os óculos... sabia que não adiantaria esconder muita coisa de Dennis... afinal ele era irmão de um dos melhores detetives... e estava amancebado com um outro, também nada ruim... Dennis viu os olhos pouco inchados e vermelhos de Michel... o olhou complacente... não falou nada apenas chamou o garçom mudando de assunto... Michel sabia que ele gostaria de uma explicação... mas, não a faria agora, e era ele quem deveria explicar alguma coisa... mas, Michel estava temeroso em relação aos sonhos... o que dizer para um psiquiatra que é especialista em analisar sonhos?!... a verdade, concluiu... após terem comido, César se despediu indo trabalhar, deixando os dois irmãos na mesa... Dennis esperava que Michel dissesse alguma coisa, e este tomava coragem para faze-lo...

Começou a contar os sonhos que tivera... os olhos, as risadas, Christian... entristeceu-se novamente ao se lembrar dele... quando o encontrou na rua e no parque... contou sobre Sofia... o que ela lhe dissera... Dennis apenas o observava... quando terminou, Dennis respirou profundamente e falou seriamente, como o medico que era: - Michel, desde quando você sonha com o Christian?

 - ... sonhei com ele duas vezes... e o vi uma vez...

 - Não... você não entendeu a minha pergunta... quantas vezes você teve aquele sonho das risadas?

 - você esta achando que Christian, era a pessoa com quem eu sonhava antes?! – viu o irmão assentir... engoliu seco – mas, nesses sonhos eu sentia medo, angustia... pavor... agora eu não sinto medo... sinto que preciso ajuda-lo... não sei como...

 - Por isso, Sofia disse que você ficaria preso nos seus pensamentos... você sente que precisa ajuda-lo... mas, para você fazer isso precisa estar próximo a ele... ou seja, em sua mente... acho que esses seus primeiros sonhos eram Christian, por causa da tristeza que você mencionou... o modo como falou dos sentimentos eram iguais... também creio que as risadas eram dadas pelo próprio Christian...

 - Mas, Dennis, isso não tem cabimento!... ele parecia uma pessoa tão doce... uma criança... e como eu ficaria preso nos meus próprios sonhos?!

 - ... Não... ele não é uma criança... você próprio me disse isso... tem vinte e três anos, com uma aparência angelical... mas, carrega uma tristeza gigantesca... e pelo visto um ódio tão profundo quanto... e sim, você poderia ficar preso em sua própria mente... a mente humana é complexa demais para poder te falar assim... mas entenda como se fosse um coma... a pessoa tem todos os seus órgãos funcionando, mas sua mente fica presa em algum lugar... tem estudos que explicam sobre isso... as pessoas quando sonham deixam que seu subconsciente tome o controle de sua mente... é muito perigoso tudo isso... quero que você me conte todos os seus sonhos, a partir de hoje... quero te ajudar... por isso eu preciso saber... e essas suas alucinações, estão me preocupando também... – o garçom se aproxima, diz a Dennis para acompanha-lo até o telefone, Michel espera pensativo... Dennis retorna tenso... – Era o César... ele pediu pra te avisar que aconteceu outro assassinato, e que fossemos pra lá... mas, não sei mais se vai ser bom pra você se envolver com essas coisas depois do que você me contou...

 - Se você começar com essas coisas, eu não te conto mais nada! – falou irritado com a super proteção do irmão – talvez eu esqueça disso tudo... preciso ocupar a minha mente...

Dennis levantou-se, deixando o dinheiro na mesa... - Vamos?! – perguntou chamando por Michel.

Pegaram um táxi até a delegacia, onde César os aguardava ansioso...

 - Porque demoraram?! – falou indo a direção ao seu carro – vamos... eu explico no caminho! - Eles entraram no carro, César dirigia apressado, relatando o que acontecera: - Vocês não vão acreditar... eu ainda estou pasmo... uma mulher ligou pra delegacia histérica... não dizia nada com nada... mandei alguns homens pra lá para isolar a área... e liguei pra vocês... precisam ver... – Michel e Dennis se entreolharam, eles também não entendiam o que César queria dizer... chegaram, desceram do carro.

Depararam-se com uma casa grande e antiga e vários policiais e curiosos... ao redor da casa um grande jardim com arvores... César os conduzia para dentro da casa... o cheiro de mofo era impregnável... Foram para a cozinha... havia sangue espalhado em todos os azulejos, pratos, copos panelas quebrados e espalhados pelo chão... o corpo era de um homem idoso... estava pendurado pelo lustre... o pescoço preso entre as hastes do lustre... o corpo pendente, todo dilacerado... a pele fora arrancada e mutilada... o rosto com a mesma expressão de pavor dos outros... seu sangue ainda escorria manchando a mesa de madeira... Michel estava observando tudo... quando sentiu pontadas fortes em sua cabeça... cambaleou sendo amparado pelo irmão...

 - O que foi Michel?

 - Nada... não é nada... – disse se recuperando... passou imagens por sua cabeça... lembrou do sonho que tivera pela manha... a cozinha... a casa... eram muito parecidas... olhou para a mesa... era aonde se encontrava o alçapão no sonho... se livrou dos braços do irmão, e começou a empurra-la... foi impedido pelos guardas que estavam no local, explodiu irritado: - Me deixem! Quero ver o que tem debaixo dessa mesa!!

César interveio, deixando que Michel trabalhasse... ficou ao lado de Dennis que parecia muito preocupado...

 - O que foi, Dennis?!... acho que eu não devia ter te trazido... quer sair daqui?!

 - não... não é só isso que esta me incomodando... – disse vendo Michel empurrando a pesada mesa... – ele esta muito transtornado com isso... – lembrou-se vendo Michel se ajoelhar no chão encontrando um pequeno alçapão... gaguejou pálido a César – ... eu-eu não acredito... – cambaleou foi amparado por César que ficou muito preocupado...

 - O que foi, Dennis?! Fala comigo! – disse vendo amante ficar cada vez mais pálido.

 - Preciso ajuda-lo... – disse indo em direção ao irmão... o viu estático e chorando... tentava abrir o alçapão...mas não conseguia... Dennis o chamou: - Michel! Michel! Olha pra mim! – sacudia-o... ele não se movia... parecia em transe... Dennis deu um tapa em seu rosto... parece ter trazido ele de volta a realidade... Michel chorando abraça o irmão...

 - ... ele-ele esta aí dentro... eu quero abrir... ele tem que sair!

Dennis abraça o irmão fortemente, dizendo em seu ouvido: - Não! Não tem ninguém ai dentro! Ele não esta ai! – virou o rosto para César que observava a cena sem nada poder fazer... aproximou-se ajoelhando ao lado dos irmãos... e Dennis pediu num sussurro: - abra esse alçapão pra mim... por favor...

César assim o fez... era um alçapão escuro, com uma pequena escada... César levantou-se e falou em voz alta apontando para um rapaz: - cabo, venha comigo vamos descer!

Todos olharam na direção em que César apontara... ele estava quase descendo quando Michel o impediu... – Vou descer também! – falou frio se afastando do irmão, que olhou para César suplicante...

 - É melhor você esperar, Michel... me deixa descer primeiro... – olhou para Dennis – depois você desce com o seu irmão...

Michel aceitou, esperando César sumir de sua visão... o cabo também desceu levando uma lanterna... resolveu descer... Dennis foi logo atrás dele...

O cheiro de mofo e poeira era insuportável... César e o cabo olhavam fixamente para uma parede... viraram-se quando ouviu os passos dos irmãos...

 - Eu pedi pra vocês esperarem lá em cima! – falou bravo se aproximando dos dois... Michel pareceu nem ouvir o que ele havia falado em na direção da parede... encontrou marcas de queimado... marcas que pareciam de mãos arranhando a parede... as correntes presas na parede... e sangue antigo...

Michel sentia sua cabeça rodar... estava perdendo os sentidos... como?!... como vira tudo em seus sonhos... e Christian... era exatamente igual... neste pensamento desabou no chão empoeirado... Dennis e César correram em sua direção... César o carregou para fora dali e chamou os paramédicos... Dennis estava muito aflito com tudo... mas deixou que os médicos cuidassem de seu irmão, para poder conversar com César...

 - Então, será que agora você poderia me explicar o que foi tudo isso?

 - Lembra hoje, na hora do almoço?!... ele estava triste... ele esta tendo uns sonhos muito estranhos e visões... ele me contou tudo antes de virmos para cá... acontece que num ultimo sonho ele quase ficou preso em sua própria mente... e por causa de um rapaz... Christian, eu acho... o que ele viu nesse sonho foi muito parecido com que vimos aqui!

 - Você esta me dizendo que ele previu essa morte?!

 - Não! Não foi a morte que ele viu... foi a casa, o alçapão... e o rapaz preso nas correntes que estavam presas na parede... ele ficou muito triste quando falou dessa cena... deveria ser uma coisa horrível... e agora, ele-ele...

 - Espera, Dennis! – interrompeu César confuso – Vamos com calma... o que Michel sonhou não foi com o morto... foi com um rapaz que estava preso lá em baixo, certo?! – Dennis assentiu – se foi isso... não tem nada haver com o caso! – César foi interrompido por um dos guardas que o chamava urgentemente de dentro do porão – Já vou!

Dennis foi onde estava o seu irmão, e ficou ao lado dele... sua pele estava fria...

 - O senhor é parente? – perguntou um dos paramédicos.

 - Sim, ele é meu irmão... como ele esta?

 - Sinceramente, não esta muito bem... e o quadro dele vai piorar, se continuar dessa forma.. – ele viu no rosto de Dennis duvida, por isso logo respondeu – ele tem anemia, já num estado avançado... o senhor não sabia?

 - Não... – disse acariciando o rosto do irmão – ele não me falou nada... o quadro dele é reversível, não é?

 - Sim, mas terá que ter muita precaução, um lugar como esse não é o mais indicado... ele não pode ter emoções muito fortes, esta muito fraco... dei uma dose de ferro para ele, mas não vai ser o suficiente... o ideal seria se você o levasse a um especialista, mas enquanto isso não ocorre dê para esses remédios – falou escrevendo num papel, se voltou para Dennis o encarando serio - ele terá que tomar pelo menos uma injetável por dia e mais essas medicações – disse entregando uma receita nas mãos de Dennis – faça com que ele as tome... ele não me parece um paciente muito obediente!

 - E não é! Obrigado... vou fazer com que ele siga suas instruções... por bem, ou por mal! – os dois se despediram e Dennis permaneceu ao lado de Michel – Você tem que melhorar irmãozinho! – disse o encarando... Momentos depois, César chega com uma expressão incrédula estampada no rosto...

 - Você não vai acreditar! – pegou-o na mão o trazendo consigo para dentro do porão novamente... estavam em frente a uma outra parede... nela havia letras desconectas escritas com sangue antigo espalhadas pela parede... César o encarou: - Nunca vi nada assim, Dennis... nunca!

 - Fala! Por favor! Você esta me deixando nervoso!

 - Essas letras espalhadas formam PERDÃO – disse apontando para um conjunto de letras num canto, indo para um outro – aqui CHRIS... está vendo?!

Dennis mal acreditava no que via... então existia realmente um Christian?!... – Mas, César, que monstro prenderia uma pessoa aqui?!

 - Não estou dizendo que acredito plenamente em seu irmão, Dennis... – ficou pensativo – pode ser também outras palavras... mas...

 - ... mas tudo indica que seja isso mesmo, não é?!

 - é... vou investigar mais sobre essa casa e... – uma gritaria surgiu do andar de cima, César e Dennis subiram, encontraram uma mulher idosa desesperada que tremia dos pés a cabeça... César se aproximou da mulher – Senhora?! – a chamou cauteloso, ela ainda gritava e chorava desesperadamente... quando César ia tentar falar novamente com a mulher Dennis interveio...

 - A senhora precisa se acalmar imediatamente! – ordenou com voz firme e potente, fazendo com que a mulher estancasse e o fitasse: - muito bem! Agora que se acalmou, tome isto! – entregou um calmante que estava em seu bolso... ela toma... César e os outros policiais encararam Dennis espantados... como ele conseguiu acalmar tão depressa aquela mulher?! – bom, será você poderia responder as perguntas que o detetive quer lhe fazer agora?!

 - sim... – disse somente com voz falha... foi em direção a sala, e sentou-se no sofá, sendo imitada por Dennis e César...

 - Senhora, poderia me dizer o seu nome, e a sua relação com esta casa? – perguntou César ligando um gravador de mão.

 - Meu nome é Ângela, morava aqui com o meu marido – chorou – ele morreu... ele morreu... porque não fui primeiro, porque?! – dizia inconsolada.

 Dennis se levantou e sentou-se ao lado da mulher, passou os braços ao redor dela a reconfortando... – Precisa ser forte, para nos contar porque seu marido foi assassinado... para prendermos essa pessoa...

A mulher riu nervosa... olhou para Dennis – vocês nunca o acharão... e eu vou ser a próxima... tenho certeza disso!

 - Não! A senhora não vai morrer! – afirmou César – existe alguém que queria mata-los?!... um inimigo?!

 - se existe alguém?! – ela gargalhou – ele já matou dois de minha família só nesta semana... meu sobrinho e meu marido!

César empalideceu – Seu sobrinho se chama Afonso Swier?!

 - Sim... o sobrenome dele era da irmã de meu falecido esposo... – ela se entristeceu novamente - ... eu sei que ele não era uma boa pessoa... era violento... mas eu não queria que ele morresse... não desse jeito... ele me disse que o faria jurou por diversas vezes... minha santa, me proteja! – ajoelhou desesperada.

 - Senhora precisa nos contar quem é essa pessoa! Vamos prende-lo! – bradou César segurando-a pelos ombros... ela sorriu desolada...

 - ... vou pagar por meus pecados... vou morrer... já estou condenada desde o momento que ele nasceu...– fitou Dennis - ... você o conhece... doutor... – e ela desmaiou...

César a sacudiu, tentando acorda-la, não teve resultados... Dennis segurou seu braço: - Não adianta... ela dormiu... foi o calmante que eu dei... ela provavelmente vai dormir até amanhã... eu não entendo... eu conheço o assassino?!

César encarou o namorado... respondeu o abraçando: - pode ser que sim... você trabalha numa clinica de “loucos”! – falou descontraindo Dennis... ele sabia que o doutor não gostava que chamassem seus pacientes de loucos... – pode ter sido algum paciente de lá...

 - ... é pode ser... mas é muito difícil um paciente sair... ele tem acompanhamento de um profissional, e fica com parentes... se não tem, eles ficam em clinicas menores... – fitou os olhos de César – qual é o sobrenome da mulher?!

 - É Amenod... – viu Dennis ficar tenso e concentrado, depois amuado - ... não precisar ficar assim... você vai lembrar mais tarde não se esforce tanto... foi um dia difícil... vem! – disse puxando-o pela mão – vamos embora, vou pegar o seu irmão e vamos sair daqui!

Já no apartamento de Michel, César colocava-o no sofá-cama, ainda desacordado... sabia que Dennis iria espera-lo acordar para irem embora, por isso foi se sentar na cadeira giratória, observando os papeis espalhados pela mesa... jornais antigos, cartas dos parentes intactas, recortes de revistas, entre outros... Dennis andava pelo apartamento, foi na cozinha, viu a geladeira e as prateleiras vazias... encontrou garrafas de bebidas vazias num canto... foi até o banheiro e viu o armário cheio de remédios e antidepressivos, uns que ele próprio receitara... a maioria intactos...

 - César... Meu irmão esta cada vez pior... – disse pegando um dos remédios na mão, viu César atrás de si pelo espelho do armário – o que eu faço com ele? – César o abraça - ... estou tão preocupado... vou levar ele pra clinica, ele querendo ou não!

 - Você sabe que isso não vai dar certo... ele tem que querer ficar bom... mas...

 - ... mas ele não quer... eu já percebi isso... mas, eu quero que ele fique bom... ele é o meu irmão... foi o único que ficou do nosso lado... que me apoiou... quando eu estava triste, foi no ombro dele que eu chorei... – Dennis chora, César o abraça mais - ... eu quero que ele volte a ser o meu irmãozinho...

 - Dennis, também desejo que seu irmão fique bom... e ele vai ficar! – disse sinceramente – mas vamos ter que ajuda-lo, porque ele não vai conseguir sozinho... você sabe disso, não sabe?!

 - ... sei... mas... – César o beija impedindo que continue... sabia que ele sofreria mais pensando no estado do irmão... Quando ouvem um estrondo vindo da sala... correm na direção do som, e vêem Michel no chão e encolhido... seu rosto estava vermelho, a pele suada e respirava ofegante... Dennis se aproxima...

 - Ele ainda esta dormindo... ele esta muito quente, César! – o encara – será que ele esta doente?!

 - Pode ser... vamos por ele de novo na cama... – disse pegando Michel no colo novamente... quando foi colocado na cama começou a se contorcer e a gemer... Dennis e César se encaravam – eu acho que ele pode estar ferido... mas aonde ele se feriu?

 - acho que ele não esta ferido... não tem sangue! – colocou a mão sobre a testa dele e constatou que estava com febre... – César me ajuda a levar ele pro chuveiro?!

 - Vai dar banho nele pra abaixar a febre?

 - Vou... não sei ao certo o que ele tem, por isso só vou dar o banho...

 - É melhor não! – falou uma voz feminina atrás deles... viraram-se e depararam-se com Sofia que acabara de entrar no apartamento – o cubram com o lençol e esperem-o acordar...

Dennis a encarou nervoso: - Quem é a senhora?! Como entra aqui assim?! E se cubrimos ele-ele vai piorar!!!

 - meu nome é Sofia, trabalho para ele... – viu Dennis ficar mais calmo, e pronto a pedir desculpas – não precisa se desculpar, pequeno... e seu irmão não esta doente, esta tendo um sonho muito “agitado”... falei pra esse menino se afastar dele mas ele não me escutou! Agora já é tarde de mais...

 - Com licença, senhora Sofia... – ela fitou César seria – O que já é tarde de mais?!

 - E por favor, se a senhora sabe do Christian... nos conte... – pediu Dennis, a viu empalidecer – preciso ajudar o meu irmão!

 Sofia riu, puxou um pequeno banco de madeira e sentou-se, apoiando a cabeça nas mãos murmurou: - que ironia!... o nome dele é Christian!! – riu novamente, e os encarou – nada do que eu disser para vocês vai mudar o destino dele... tentei por diversas vezes... mas não consegui nada... sobre Christian você quer saber... humpf!... eu só não sabia o nome... pobres crianças... – falou se levantando e indo embora, mas foi impedida por Dennis...

 - O que a senhora sabe?!... por favor...

 - O que eu sei ou deixo de saber não interessa a vocês! Já disse: nada vai ser alterado... novamente... – se virou novamente em direção a porta - Adeus, nos veremos outro dia... – ela se foi, deixando Dennis mais nervoso do que se encontrava antes.

César não sabia o que dizer... aquela mulher sabe mais do que aparenta... quem era ela afinal?!... viu Dennis andar de um lado para o outro... ele só ficava assim quando algo lhe incomodava ao extremo. Parou de repente, indo até o telefone... César aguardou... Após, ter desligado, ele se sentou perplexo na cadeira...

 - O que foi, Dennis?!

 - Descobri uma coisa... ou melhor me lembrei de uma coisa...

 - O que, pra te deixar assim?!

 - Quando você me falou, lá naquela casa, o sobrenome da mulher... Amenod... eu sabia... tinha certeza que já havia escutado antes... e agora Sofia... a maneira como ela me chamou... eu me lembrei de umas coisas... eu já a vi antes... e Christian esta...

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Michel gritava... onde estava?!... era um lugar muito escuro... havia cheiro de sangue... precisa pensar: estava na casa onde viu Christian... quando... quando...

 - desmaiou... – respondeu aos seus pensamentos uma voz grossa e rouca, Michel olha na direção da voz, mas a penumbra não permitia a visão...

 - Quem esta aí?!

 - Quer mesmo saber?! – indagou mais próximo a ele – Você pode não gostar da surpresa, Anjo...

Michel sentiu-se arrepiar – Quem é você?! – não obteve resposta, apenas um silencio aterrador o cercava... o medo começou a tomar conta de seu corpo... um medo inexplicável – Responda! – gritou.

 - Do que tem medo?! – sussurrou em seu ouvido, fazendo com que Michel se afastasse assustado, riu se aproximando novamente – tem medo de mim?!... ou da escuridão que te cerca?!

 - da escuridão e de você... – respondeu timidamente.

Ouviu o ser rir mais – Como podia ter me esquecido que você não gosta de lugares escuros! Me desculpe...- Michel percebe  que o lugar clareava... agora sabia onde estava... no porão... no mesmo porão... a tristeza se apossou de seu corpo novamente... porque se sentia assim?!... não é normal... ajoelhou-se no chão cabisbaixo... chorava...

– Porque?! Porque tenho que ver isso?!... quem é você?!... você não é Christian... não é! Quem é você? – falava entre soluços.

 - Realmente não sou Christian... olhe para mim! – ordenou, Michel ergueu sua cabeça e viu um homem muito alto e forte, com longos cabelos prateados, olhos azul-profundos... era muito belo, exalava um perfume inebriante e cálido... estava vestido apenas com um tipo de calça preta... andava calmamente e sensualmente em direção a Michel... puxou-o com as mãos e colando seu corpo ao dele – talvez não seja ele... mas, ainda assim você me pertence! – dizendo isso o beijou avidamente percorrendo suas mãos pelo corpo de Michel que se entregou prontamente ao estranho sedutor...

Ele tirava vorazmente a roupa de Michel, o mordendo e lambendo por onde passava... Michel deliciava com as brutas caricias, murmurava palavras indescritíveis... Ele foi em direção ao falo em riste, lambendo por toda a extensão, fazendo Michel gritar de prazer... levou suas mãos para os mamilos, os apertando, sem parar com a felação... percebeu que Michel estava preste a gozar, parou e buscou por sua boca... as línguas tocavam-se freneticamente... se separaram por busca de ar... e ele murmurou lascivo no ouvido de Michel: - Como esperei por esse momento... – beijou-o novamente, deitando-o no chão... ergueu seu quadril, e com a língua umedeceu seu anus... Michel gritou extasiado com a ousada caricia... ele entrava e saia com sua língua, simulando o ato... Michel gemia alucinado... como era estranho e delicioso aquilo!... Michel foi posto de quatro, e currado numa estocada firme e precisa, arrancando um grito de dor... o outro lhe beijava a nuca entrando e saindo do corpo de Michel, e com uma das mãos o masturbava... os corpos suados e nus deslocavam-se em perfeito frenesi, aumentando o ritmo a cada desvairado instante... gozaram juntos, exaustos se abraçaram...

Michel não acreditava no que acontecera... mas, não se sentia mal por isso... estava, como nunca estivera antes, completo e feliz... abraçou-o mais forte escondendo o choro... ele o encarou beijando suas lagrimas...

 - Porque esta assim?

Michel não o encarou, encostou sua cabeça no ombro dele, e respondeu melancólico: - porque eu sei que isso é um sonho... sei que vou acordar... e não vou poder ver mais você...

O ser riu docemente e o acariciou no rosto, fazendo-o encarar – Você não se esqueceu... que bom... você não se esqueceu do que nos une... Sabe, pra mim isso não foi um sonho... nem pra você... vamos nos encontrar novamente... não se preocupe, não vou deixar você ir... não desta vez! – depositou um beijo na testa de Michel, que acordou no mesmo instante... abriu os olhos viu o teto de seu apartamento, voltou a fecha-los, chorou... ouviu o irmão lhe chamar, mas não queria responder... não queria acordar... um sentimento muito forte o ligava aquele ser...

 - porque acordei?! – sussurrava consigo chorando.

 - Michel, por favor fala comigo! – implorava o irmão ao lado da cama... Michel virou seu rosto, fitando o do irmão, e o abraçou carente... Dennis não sabia o que fazer, via se irmão chorar compulsivamente e não podia fazer nada... a não ser acalma-lo – o que você tem irmãozinho? – dizia acariciando seus cabelos...

César assistia a tudo, não agüentava ver Dennis naquele estado, e nem Michel... por isso falou irritado a Michel: - Você quer parar com isso! – fez com que os irmãos o olhassem... isso era um bom sinal, continuou: - Que espécie de detetive você é?! Não sabe que precisa ter a mente clara para compreender qualquer coisa?! Você fica aí chorando, preocupando o seu irmão! Sabia que ele descobriu algo sobre o tal de Christian! Coisa que você deveria ter feito! Mas, não! Você só sabe ficar aí chorando e se lamentando pelo seu passado!

 - Chega, César! – falou Dennis, vendo a reação de Michel... ele voltara a fechar seu rosto, parara de chorar, sentou e encostou-se no sofá-cama... a realidade o chamava de volta, fitou César...

 - Obrigado, César! Obrigado por me lembrar... vou tomar um banho, me esperem aqui! – falou enrolado no lençol, pegando algumas roupas e indo para o banheiro...

Dennis permaneceu sentado na cama cabisbaixo, César se aproxima colocando suas mãos em seu ombro.

 - eu agradeço também, César... eu não consegui chamar a atenção dele, ver ele chorando daquele jeito me abalou muito... ele precisava ouvir isso!

César o beijou: - Eu sei... eu sei de tudo isso...

No banheiro, Michel se olhava no espelho...  – Patético! – falou para si, retirou sua roupa... o seu sêmem se encontrava na calça, o seu orgasmo... como, muitas marcas arroxeadas espalhadas pelo corpo... sentia-se ainda quente e nostálgico pelo prazer que aquele ser lhe proporcionara... era incontrolável... entrou no chuveiro, deixou a água correr por sua nuca, fechou os olhos lembrando-se dele, excitou-se levando sua mão ao seu falo, masturbando-se... sentia ainda os ousados toques... o corpo forte junto ao seu... não demorou para que gozasse... escorregou para o chão do banheiro, a água ainda caia sobre ele... chorou novamente...

             - Porque estou assim?! – pensava – quero ele!... muito... porque-porque – chorava tentando entender o que sentia...  - Mas, César tem razão não posso ficar chorando o tempo todo... preciso ser forte, para entender... com a mente nesse estado não vou conseguir pensar em mais nada... Dennis havia descoberto algo sobre Christian! – levantou-se afobado, desligou o chuveiro se enrolando na toalha, e saindo apressado do banheiro – Dennis, o que você descobriu sobre o Christian?! – falou vendo Dennis e César o encararem surpresos pela repentina aparição.

             - Ahm, Michel... não é melhor você se trocar primeiro?! – indagou Dennis, vendo o irmão semi nu, o viu entrar novamente no banheiro e em instantes sair vestido com uma bermuda e uma blusa velha, com os cabelos despenteados e encharcados.

             - Agora você pode me dizer?! – César vê a cena e ri com gosto, olha para o rosto serio de Michel e se controla... Dennis tenta permanecer serio, se sentando no sofá-cama... Michel o encara esperando por uma resposta...

             - Nem sei por onde começar, Michel! – começa Dennis – Mas, uma coisa eu te garanto: Christian esta vivo!

  Continua...

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