...Prelúdio da Solidão...
(¯`·._.·[CAPITULO
TRÊS]·._.·´¯)
- Vivo?! – indaga Michel pálido, quase desmaiando, se apóia na pequena mesa e se senta – aonde?! Fala!! – grita nervoso.
- Calma! – adverte César – e não fale assim com o seu irmão! A historia é complicada, nem eu sei tudo! Senta aí e fica quieto!
Michel obedece, esperando que Dennis continuasse com a explicação... Dennis suspira e continua: - Quando eu entrei na clinica, era ainda um estagiário, tinha um rapaz muito problemático, ele vivia trancado num quarto, nunca saía... A família nunca havia aparecido por lá, os enfermeiros tinham pavor quando tinham que entrar no quarto dele... eu não entendia porque, pois eles não comentavam o porque de tanto medo... Os estagiários trabalhavam com os enfermeiros auxiliando-os, e eles trabalhavam em sistema de rodízio para cuidar dos pacientes... chegou o dia em que eu, finalmente, iria conhecer o rapaz, o enfermeiro que me acompanhava tremia, perguntei o que acontecia, cheguei até a gozar da cara dele, ele serio mandou que eu entrasse sozinho no quarto, eu gelei... mas fui assim mesmo, ao entrar no quarto me deparei com um menino, devia ter uns 13 anos, tinha os cabelos prateados e compridos, o que era raro, pois todos os pacientes deveriam ter seus cabelos curtos, olhos azuis escuros vazios, olhava para uma janela com grades fixamente... não vi o que de tão terrível teria aquele menino, parecia um anjo triste, entrei por completo fechando a porta do quarto, quando fui cumprimenta-lo, ele se vira com os olhos brilhando e corre em minha direção me abraçando, me diz que me aguardava e pergunta porque eu havia demorado... fui tomado por uma emoção inenarrável... nunca havia sentido tanta ligação com pessoa nenhuma, de repente, ele se afasta triste e diz que não era a pessoa que esperava... não entendi, e ainda não entendo, o que ele quis dizer... mas, ele conversava comigo, coisa que ele não fazia com mais ninguém, por isso fui incumbido de cuidar dele... me deram a sua ficha... – Dennis suspirou profundamente amargurado – ele havia sido internado por ter tentado matar seus pais e um primo que morava junto com eles... ele foi julgado como adulto, só não foi condenado a prisão, porque ele tinha motivos, de sobra, para mata-los, assim sendo, teve que cumprir sua pena em um sanatório...
Michel tinha tantas perguntas, sua cabeça girava – Motivos? Que motivos?! – perguntou vendo o irmão ficar tenso.
- a família dele alegava que ele era uma abominação, um demônio... e o tratavam como se fosse um... desde o momento em que nascera foi abandonado, sendo sempre maltratado por eles... era espancado, judiado, humilhado, não davam comida, enfim, nada!... certa vez ele havia saído de dentro da casa e uma das vizinhas o viu e foi conversar com ele, nunca havia visto a criança, ele inocentemente disse que pertencia aquela família, a mulher incrédula, disse que era mentira, que eles tinham apenas uma criança na casa... foi quando o pai dele o viu, e o arrastou para dentro da casa colocando-o dentro de um porão, acorrentando-o lá dentro, ele foi quase morto de tanto que batiam nele... o primo, mais velho que ele, descia ao porão todos os dias e o estrupava, levava amigos para se “divertirem” com o sofrimento dele, faziam ele se humilhar por comida ou bebida... certa vez, eles foram viajar e deixaram o menino ainda no porão, a casa foi atacada por vândalos, que botaram fogo nela... pensavam que não havia ninguém dentro da casa até ouvirem gritos vindos do porão, saíram correndo e chamaram os bombeiros, que apagaram o incêndio, e encontraram o menino semi-morto com queimaduras por todo o corpo, com grilhões nos braços quebrados, ele deve ter tentado se soltar da parede, por isso deve ter quebrado os pulsos... Os bombeiros incrédulos com tamanha crueldade levaram o menino para o hospital, perguntaram a ele quem havia o prendido, mas ele não respondia, concluíram, então, que seriam os vândalos... eles nunca foram descobertos, o menino permaneceu no hospital por quase dois anos, se recuperou muito impressionantemente das queimaduras e voltou para a casa... foi nesse dia que ele tentou mata-los, foi impedido por uma mulher que passava em frente da casa...
Michel permanecia estático na cadeira, sentia lagrimas descerem de seu rosto, agora entendia porque se sentia tão triste perto de Christian... ele fora muito maltratado, seu peito doía de tanta tristeza... precisava de ar! Saiu apressado, deixando César e Dennis no apartamento...
- Você não contou o porque que os enfermeiros tinham medo dele e nem como você se lembrou de tudo isso? – indaga César ainda chocado com a historia.
- Toda vez que eles entravam no quarto, sentiam um frio inexplicável, e quando fitavam ou tocavam o menino sentiam que seu corpo e sua alma eram sugados, saiam de lá fracos, apáticos e apavorados apenas com o olhar dele... eu o vi assim uma vez, quando um dos meus colegas quis mexer em seu rosto, dizia que se parecia com um anjo e queria tocar em sua pele de mármore... ele não chegou a toca-lo, ele havia se encolhido como se fosse um bebê, tremia muito, sua pele estava fria e suava muito, seus olhos quase sem cor... a expressão do menino era de pura maldade, eu senti espasmos por todo corpo de pavor... era horrível... não sei como consegui implorar para que ele parasse com aquilo, não entendia o que estava acontecendo, mas sabia que vinha dele... ele me encarou com o rosto angelical e foi deitar-se... esse meu colega ficou cego e perdeu metade dos movimentos do corpo... – Dennis se levantou indo até a janela olhando a lua – Quando Sofia me chamou de “pequeno”, eu me lembrei dessas coisas... elas começaram a vir pouco a pouco... eu nem sabia que eu havia esquecido, foi tudo muito esquisito!... lembrei de uma coisa também...
- O que, amor?! – falou se aproximando dele e o abraçando por trás.
Dennis virou o encarando: - Eu e Michel conhecemos Sofia.
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Michel andava desnorteado pela cidade, andava sem rumo... só pensava em Christian e como ele havia sofrido... porque tinha que sofrer tanto?! Ele estava vivo... mas aonde?! Deveria estar perto, pois com certeza matara os seus parentes!... mas, porque depois de tanto tempo e porque ele matara Ellen?!... num lampejo, veio em sua mente que seria por sua causa... – por minha causa?! – sussurrou para si parando de andar.
- Sim, por sua causa, Michel – respondeu uma voz conhecida.
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César encarou o companheiro espantado – Como vocês a conhecem?!
- Quando eu e Michel éramos pequenos uma senhora foi em nossa casa, conversar conosco... eu havia ficado surpreso porque nunca ninguém vinha nos visitar, e sim nossos pais... aquela mulher não, ela havia deixado bem claro para a minha mãe para que a deixassem a sós conosco... eu não me lembro o que conversamos ao certo, mas me lembro que ela se apegara muito a Michel, cheguei até pensar que ela queria leva-lo embora... Porem, ela me acalmou dizendo que não iria leva-lo, foi nesse momento em que ela me chamou de pequeno... não entendo o que isso tem haver com a historia de Christian, mas no exato momento em que ela me chamou de pequeno eu me lembrei...
- Isso esta ficando cada vez mais estranho! – falou César pensativo – essa mulher deve ter alguma relação com o Christian... agora eu só não sei qual?!... mais uma coisa: como você sabe que o Christian esta vivo?! Você disse isso com muita certeza, o que te faz pensar assim?
- sabe aquela hora eu que telefonei?! – perguntou vendo César assentir – eu havia ligado para a Clinica, queria saber o que aconteceu com ele, pois não me lembro mais de nada do que contei, é frustrante! Me disseram que ele foi transferido para uma outra clinica, há uns oito anos, e teve alta... não me deram mais informações, precisaria ir nessa clinica para averiguar melhor essa historia...
- E eu vou com você!
- Não, meu querido... quero que você fique com o Michel... não quero deixar ele sozinho... peça para ele te acompanhar nos casos...
- Mas, Dennis, não é melhor que ele se afaste de tudo isso?
- sim, mas ele precisa realmente se distrair, começar a pensar novamente... e acho que agora ele não vai querer se afastar desse caso... porque pode encontrar Christian... você acha que estou errado?
- não... vai ser bom ter a ajuda dele – César se afastou de Dennis, ficando de costas para ele.
- O que foi, César?!
- estava pensando, Dennis... porque seu irmão quer ajudar tanto assim, esse rapaz?!... afinal foi ele, muito provavelmente, quem matou essas vitimas!
Dennis se posta frente a ele, e o encara: - O que você esta pensando?!
- acho que seu irmão já se encontrou com ele, e tenho quase certeza de que ele esta gostando, e muito, desse rapaz...
- hum, sobre ele ter se encontrado pessoalmente com ele, eu duvido, se não ele teria me contado... ele me disse que sonha com o rapaz e teve duas visões com ele, pode até ser que essas visões possam ser o próprio Christian, mas...
- Porque ele ainda teria a aparência de criança?!... é eu pensei nisso também...
- você também acha que ele está apaixonado pelo Christian? – Dennis sorri amargurado – ele não é muito bom para escolher pessoas... – César o abraça – o que eu faço com ele?!
- Com ele nada... quero que você vá para essa clinica amanha, vou cuidar do seu irmão, vamos ajuda-lo com essa historia!
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Michel encara Sofia assustado, ela começa a andar e ele a segue. Vão para o parque, eles se sentam num banco.
- Você é a pessoa mais cabeça dura que eu já conheci! – começa irritada – você não se lembra de mim, não é menino?
- Muito pouco... porque você voltou?!
- você não se lembra o que conversamos na sua casa? – o viu negar, suspirou – desde aquela vez eu te adverti sobre Christian, fui lá especialmente para dizer que você deveria ignora-lo... mas, como sempre não consegui meu intento!
- Sempre?
- Sim... desde o momento em que vocês foram condenados... mas, desta vez pensei que ia ser diferente... por causa do que ele fez, mas vi que me enganei...
- Do que a senhora esta falando?
- você vai descobrir no momento certo, e agora não é! Vim aqui para te avisar que ele esta te chamando, clamando por você... fico triste em te dizer isso, menino... mas, você já sabe que esta condenado, não sabe?
Michel abaixa a cabeça: - Sim, eu sei... desde o momento em que me encontrei com ele, que eu o vi, eu tive essa sensação... como uma enorme saudade, senti tanta dor ao vê-lo e tanta alegria... e eu, pra piorar, não lembro dele... preciso lembrar, mas não consigo!
Sofia afaga a cabeça de Michel dizendo: - Você foi um dos mais carinhosos... não fique assim, você vai lembrar... mas, aí vai ser tarde de mais. – ela se levanta – adeus, criança... nos vemos depois...
Michel a viu se afastar permaneceu sentado durante um tempo... precisava se encontrar com Christian antes de todos, precisava conversar, saber quem ele realmente é e o que significa para ele... Agora ele tinha certeza, que aquele ser que o possuiu em seus sonhos era Christian... não poderia ser outro, pois a sensação de solidão e felicidade se manifesta claramente nos dois... – Queria poder vê-lo... – pensa melancólico se levantando e indo para o seu apartamento.
Chegando lá, se depara com um bilhete na porta:
“Irmãozinho,
Eu e César
fomos para o apartamento dele, achei que você não gostaria que ficássemos...
mas se precisar me ligue, ok?! Deixei um pouco de comida na geladeira, vê se
come! Eu vou viajar amanha, e volto amanha mesmo, mas não se preocupe que vai
ter quem cuide de você!! César vai cuidar de você pra mim! Ele pediu pra
avisar que vem te buscar amanha cedo para vocês investigarem o caso, por isso
vai dormir cedo!
Beijos,
Dennis
Ps. A chave
esta no lugar de sempre!”
Michel se abaixou, e pegou a chave debaixo do capacho, entrou e jogou-se na cama, e exausto dormiu...
Michel
andava continuamente, andava cabisbaixo, quando ouviu vozes...
-
Não!! Tu não podes fazer isto conosco!! – gritava um homem, com longos
cabelos pretos, pele clara e olhos verdes, com um homem deitado em seus braços,
aparentemente, ferido, ele tinha os cabelos prateados compridos...
Michel
não acreditava no que via... o rapaz era idêntico a ele, e a pessoa ferida, só
poderia ser Christian... porém, eles estavam vestidos com roupas da idade
media.
O
rapaz abraçava fortemente o ferido, tentava o proteger de alguém... mas,
Michel não via ninguém...
-
Não!! – gritou o rapaz chorando desesperado, o corpo do ferido desaparecera
– Devolva-me ele! Devolva meu amado!! – chorava abraçando-se... uma risada
histérica soou por todo o lugar.
-
Ele não vos pertence, humano! Pertence a mim apenas, vós nunca sereis um do
outro! Jamais permitirei! – anunciou uma voz gélida e inumana.
-
Não! – contestou bravamente o rapaz – Ele não ira jamais esquecer, vira
sempre a minha procura! – dizendo isso empunhou uma espada e a enfincou em seu
próprio peito, caindo no chão morto.
Michel
observava a cena estático, com lagrimas caindo abundantemente de seus olhos...
Ficou tudo escuro, e sentiu mãos em seus ombros o chamando...
César chamava insistentemente Michel, ele chorava em seus sonhos, o viu abrir os olhos confuso, César o fitou, seus olhos nunca demonstraram tanta tristeza, perguntou preocupado: - você esta bem, Michel?!
- estou... – disse cambaleante – vou me trocar espere um pouco. – e foi para dentro do banheiro. César permaneceu sentado no sofá-cama, perguntava-se o que o abalara tanto no sonho para que ele ficasse daquela forma.
Michel, no banheiro, lava seu rosto, observando-se minuciosamente no espelho... o rosto magro, os cabelos desalinhados e compridos, olhos inchados, olheiras, e aparência de doente... - como deixei que ficasse assim?! Perturbado por causa de uma mulher maldita!... Maldita Ellen! – pensava indignado consigo – não vou me abater mais! Preciso reagir... por mim e por... Christian... eu vou encontra-lo a todo custo! Eu preciso entender o que são esses sonhos, Sofia sabe, mas ela não vai me dizer nada... droga!
César na sala conversava com Dennis pelo telefone:
- Dennis, como foi de viajem?
-
Cheguei bem aqui... demorei duas horas... estou esperando para conversar com o
doutor Wing, mas me diz como as coisas estão?
- Eu estou completamente desolado...
- O que aconteceu, César?! – fala aflito do outro lado da linha.
- estou muito sozinho, doutor – falou magoado – não tenho o meu querido amante por perto.
-
Ai, César! – falou rindo – posso te garantir, como doutor, que esse
sintoma vai ser muito bem cuidado hoje à noite! – os dois riem – Agora
é serio: esta tudo bem aí?
César fica serio, e fala preocupado – Seu irmão, não parece estar muito bem, Dennis... eu liguei a manha interia pra ele, e nada dele atender, por isso vim pra cá... encontrei a porta só fechada e ele estirado no sofá dormindo, e ele estava chorando no sonho, por isso resolvi acorda-lo...
- Continue! – pediu ao perceber que ele se calara.
- Eu nunca o vi tão triste, Dennis... nunca... não queria te preocupar!
-
Eu sei... mas foi bom você ter me contado isso! Eu já não sei o que faço com
ele... César eu tenho que desligar, o doutor vai me atender agora, cuida do meu
irmão e se cuida também... ligo mais tarde, beijos!
-Tchau, beijos.
- Era o meu irmão? – pergunta Michel saindo do banheiro, César o encara surpreso, ele estava com o cabelo arrumado, vestido-se bem melhor do que seus costumeiros trajes, seu rosto parecia mais leve... era como se fosse outro... César seguiu até o banheiro e começou a procurar por algo, Michel indaga estranhando a atitude do cunhado: - O que você esta procurando, César?!
Ele o encara ainda surpreso: - Estou procurando o que te fez mudar assim do “nada”!
Michel se irrita: - Como você é engraçadinho!
- Estou falando serio! – pegou em seu braço e o levou até frente a um espelho – olhe para você! Esta diferente, esta com uma aparência muito melhor! – Michel fica envergonhado... ele tinha razão, se sentia melhor... e isso tinha um motivo: achar Christian!... mas isto nunca admitiria para o detetive, se soltou e foi em direção da cozinha... César sorri: - Eu percebi seu embaraço, meu cunhado – pensa ainda sorrindo.
- Aonde nós vamos, depois daqui, César?! – indaga mudando de assunto e fazendo um lanche para si.
- Vamos para a delegacia, vou interrogar aquela mulher!
- Mulher?
- Você ainda não a viu... É a dona da casa, a senhora Ângela Amenod.
Michel franziu o rosto – ela é a mãe de Christian?
- sim – César viu o rosto de Michel se tomar de rancor – você sabe tão bem quanto eu que por mais que você tenha raiva, pelo o que ela fez, não vai poder descontar, não sabe?!
- Sei sim, não vou espancar ela... como eu gostaria, vamos então! – disse terminando de comer.
- Você tem que passar na farmácia!
- Pra que?
César retira de seu bolso uma receita e uma lista: - Seu irmão me ordenou “expressamente” – falou indicando a lista de coisas que precisaria para cuidar de Michel que Dennis fizera antes de viajar - que te levasse na farmácia para tomar essas injeções! – falou entregando a receita.
Michel a leu nervoso – Meu irmão, é que não muda! Parece minha mãe!! Que droga! Vamos logo então para a porcaria da farmácia!!
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- Pode me acompanhar, doutor Fullmart – falou um senhor idoso sorridente indicando para que entrasse em uma sala – a que devo essa ilustre visita repentina?!
- Doutor Wing, sem galanteios, por favor – disse sorrindo – minha visita é muito seria, vim, na verdade, para ajudar o meu irmão.
- E como ele esta?
- Nada bem... Mas não vem ao caso agora, gostaria de saber sobre um de seus ex-pacientes, doutor... Christian Amenod!
Wing fica pálido e gagueja: - O-o que você disse?!
- Queria saber sobre Christian Amenod... o senhor não me parece muito bem – disse vendo o homem empalidecer cada vez mais, afrouxando sua gravata.
- É que esse assunto é delicado de mais... você me assustou! – falou levantando-se, indo pegar um copo de água, e bebendo tremulo... ficou instantes olhando o copo e sentou-se novamente mais calmo – porque você quer saber sobre ele, Dennis?
- porque?! – Dennis suspirou – ele é suspeito de ter matado duas pessoas e esta prestes a matar uma terceira, queria saber o que aconteceu com ele depois que ele saiu daqui.
- ele já começou então?! – murmurou preocupado – você sabe que ele não vai deixar ninguém vivo, não sabe?!
- sim, eu sei... mas, preciso saber dele!... o meu irmão esta envolvido de alguma forma com ele, não sei como, porque eles nunca se encontraram!
- Dennis, vou ser sincero com você! Esse homem é muito perigoso, ele viveu aqui por oito anos e não conseguimos nenhum avanço com ele... depois que ele saiu da clinica em que você estava, ele não disse mais nenhuma palavra, nada! E ninguém podia toca-lo! Ele não era normal... e não foi normal também quando ele saiu daqui há menos de meio ano!
- Quando ele saiu?!
- Faz uns dois meses... em uma tarde, em que nós tínhamos sessão, ele se dirigiu a mim e apenas disse que iria embora... e-e eu concordei! Mas não fui eu apenas, todos os diretores da clinica concordaram!... ele pegou suas coisas e saiu, nunca mais sabemos dele, até hoje!
- Como ele saiu assim, Wing?! Sem aviso! Sem nada!
- Não sei, Dennis... não sei, chamamos a policia para ir atrás dele... mas ele desapareceu! Não pegou trem, ônibus e ninguém o viu!
Dennis permaneceu estarrecido na cadeira... como algum sumia dessa forma?! – Mas, e o estado clinico dele?! Não se alterou?!
- Não... posso afirmar que ele ficou pior, ninguém chegava perto dele... há uns dois anos, um enfermeiro morreu de parada respiratória, logo depois de uma briga com ele...
- Qual foi o motivo da briga?
- ele não queria cortar o cabelo, o enfermeiro pegou os cabelos dele e teve a parada... não sei o que acontece com esse rapaz, mas creio piamente no que a família dele dizia!
- Wing!
- Não venha me dizer que não isso não passou por sua cabeça! Eu vivi com ele durante todos esses anos, e garanto que ele não é normal! Tem algo sobrenatural nele, você acreditando ou não! Eu sentia calafrios toda vez que ele me olhava... deixei de acreditar e passei a acreditar em muitas coisas depois que eu conheci esse rapaz! Vou te dar um conselho de amigo, Dennis, não se envolva com isso!
- Mas, é meu irmão, Wing! Não tenho como não me envolver! E eu preciso da sua ajuda!
Os dois permaneceram em silencio por um tempo, Wing suspira e diz tenso: - Dennis, você foi, e é, um de meus melhores alunos, tenho muito orgulho de você... mas, entenda que existem coisas que não podemos influenciar, temos que deixar o destino fluir e ver no que dá!
- Essas palavras... – Dennis murmura consigo pensativo – eu já ouvi essas palavras!
- O que disse, Dennis?!
Dennis encara o doutor: - Não é nada... Wing, pode até ser que você tenha razão, mas não vou deixar meu único irmão nas mãos desse maníaco!! Vou fazer de tudo para ajuda-lo, entendo porque o senhor não quer se envolver, mas só peço que me dê uma copia da ficha dele, depois eu vou embora!
Wing suspira e se levanta indo até um arquivo, pega uma ficha e entrega a Dennis: - Espero sinceramente que você consiga ajudar o seu irmão, Dennis... sem precisar arriscar sua vida, quem sabe ele se lembre de você! Ele gostava muito de sua companhia!
Dennis se surpreende: - O senhor se lembra dessa época?!
- Claro! Posso estar velho, mas não caduco!
- Ele ficava muito tempo comigo?!
Wing o encarou confuso: - Você não se lembra?
- Não... me lembro de poucas coisas, me esforço para tentar lembrar mas não consigo!
- Você era a única pessoa com quem ele conversava, os médicos responsáveis por ele chegaram a nomear você como psiquiatra dele... esta aí, no histórico dele, você foi o terapeuta dele por quase dois anos! Como você não se lembra?
Dennis estava mais confuso do que nunca: - Eu era o medico dele?! Eu me lembrava que conversava com ele, pensei que fosse apenas um enfermeiro, mas não que fosse o psiquiatra dele!
- Será, que ele fez você esquecer disso?!
Dennis encarou Wing, algo dentro dele dizia que não seria ele: - não... acho que não foi ele... – como se despertasse levantou-se pegando os papeis – Doutor Wing, obrigado por tudo! Tenho que ir, eu posso ligar se tiver alguma duvida?
- Claro que pode, Dennis... você já vai?!
- Sim, meu ônibus sai daqui a pouco, não quero me demorar!
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Na delegacia, César e Michel, liam o laudo dos peritos, quando um policial entra na sala: - Chefe, a dona já chegou!
- Obrigado, Daniel, manda ela pra sala quatro que eu já vou para lá!
- Sim, senhor! – disse se retirando e fechando a porta.
Os dois ficaram se encarando por instantes, quando César se levanta: - Você vai ficar quietinho, entendeu?!
- Não vou tentar nada contra ela! – afirmou irritado – vou perguntar umas coisas para ela! Só isso! Ou não devo “chefinho”? – indagou irônico.
César ri e sai da sala sendo seguido por Michel, ao chegarem na sala a mulher esperava de pé num canto, se virou quando eles entrarem, ela assim que viu Michel começou a gritar, tremer e a se encolher no chão.
- Não!! Não!! Por favor não me mate! – gritava transtornada e desesperada.
- Se acalme senhora! – gritava César segurando em seus ombros, mas a mulher não reagia viu que o problema era com Michel e ordenou: - Michel sai daqui, vai pra outra sala!
Michel sem entender a reação da mulher saiu da sala, esbarrando com alguns policiais que estavam na porta, perguntou ansioso: - Onde fica a sala do espelho?!
- por aqui! – falou um dos policiais indicando o caminho.
Michel entrou na sala e viu César e a mulher, ele dava a ela um copo de água, que tremia.
- Muito bem, senhora Amenod, pode me explicar o que foi toda essa cena?! – perguntou César se sentando.
A mulher tentava parar de tremer e olhava para o detetive fixamente: - Aquele rapaz... que entrou com você! É ele! É ele!
César não entendia onde a mulher queria chegar – A senhora esta acusando ele de ter matado o seu marido e seu sobrinho, é isso que eu entendi?!
- Não! Mas-mas é ele quem o maldito procura! É ele! Ele vai me matar por causa dele! – dizia gritando e descontrolada.
César se irritou com o descontrole da mulher e saiu da sala batendo a porta e ordenou a um dos policiais: - Fique de olho nessa mulher! E vê se faz ela calar essa boca!! – saiu apressado até a sala ao lado onde se encontrava Michel sentado e incrédulo – Muito bem – começou ainda irritado – que porra foi essa?!
Michel ainda estava sem reação... como aquela mulher falara aquilo?! Viu César se irritar mais ainda com o seu silencio, não queria ver o cunhado nervoso, ficava muito perigoso, por isso falou ainda confuso: - Eu não sei também, César! Nunca vi aquela mulher!
- Então porque ela disse aquele monte de merda?! – ouviu a porta bater e entrar cautelosamente um policial – O que você quer, João?!
- É que-que o-o senhor Dennis esta no telefone, senhor-or.
- Porque não disse logo! – saiu batendo a porta e indo para sua sala. O policial respira aliviado.
- Ele esta sempre assim tão nervoso?! – perguntou Michel se lembrando da ultima vez que ele ficara dessa forma.
- Não, até que não, mas quando fica! Você já viu, né?!
Michel teve que concordar... a ultima vez que o viu irritado, foi quando o pai quis bater em Dennis, quando descobriu que ele e César estavam juntos, César alem de segurar o braço do pai disse que se encostasse um dedo em Dennis o mataria, tirou Dennis da casa e nunca mais voltaram.
- O que aconteceu, César?! Porque você esta tão nervoso, meu amor?! – perguntou Dennis assim que ouviu o alo mal-humorado.
- desculpa, Dennis! – falou mais calmo – não aconteceu nada de mais, e como esta aí?!
-
Porque você insiste em mentir pra mim?! Eu sei que você não fica nervoso à
toa! Vamos, pode ir falando?!
César ri – É você me conhece muito bem... bem até de mais! – suspirou – estava tentando interrogar a mãe de Christian, mas no momento em que ela viu o seu irmão começou a dar chilique, falou um monte de coisas!
-
Você vai me contar tudo assim que eu chegar aí! Eu já estou voltando! Tenho
novidades não muito boas...
- Pro seu irmão?!
-
Sim... vou chegar aí umas sete horas...
- Vou te esperar na estação!
-
Não leva o Mi, quero falar antes com você!
- É tão grave assim?!
- É sim, tem umas coisas que eu não quero que ele saiba ainda... e também... tenho que cuidar de um certo paciente meu irritadinho e carente, tchau meu ônibus chegou, beijos! – falou rápido desligando o telefone deixando César com um sorriso no rosto.
- Seu humor melhorou! – anunciou Michel entrando na sala – o que ele falou?!
- Só disse que esta cansado e perguntou por você! Vai ir querer pega-lo na estação?!
Michel o encarou desconfiado: - Não, não quero atrapalhar nada! Vou para casa depois daqui... você interrogar a mulher?!
- Vou, e agora mesmo! E ela que não tenha de novo os chiliques, se não prendo ela!
Novamente na sala, César e a senhora Amenod, encaravam-se. Michel via tudo da sala em que estivera a momentos atrás.
- Vamos começar de novo, senhora Ângela! – falou César – não quero ver novos ataques nem chiliques! Fui bem claro?! – viu a mulher assentir – me diga porque disse tudo aquilo sobre o rapaz que me acompanhava há momentos atrás!
- aquele rapaz tem o cheiro do maldito!
- Quem é esse maldito?!
- O meu filho, senhor detetive! É ele quem esta matando todos! E aquele rapaz tem o cheiro dele! Tem o cheiro daquele demônio!! – falou alterada.
- A senhora se acalme! – ordenou César olhando fixamente o espelho, onde sabia que Michel estava – explique-se! Porque diz que seu filho é um demônio?!
- porque ele é, detetive! O senhor pode não acreditar em mim, mas fui eu quem gerou aquilo! A família do meu marido carrega a marca! Por isso que ele nasceu! A aquele ser maldito! Eu tentei abortar, mas aquela outra maldita me impediu! Não foi ela quem teve que cuidar dele!
- Quem é essa mulher?!
- Não posso dizer! Ela não deixa!
- Como não pode?! Já não falei que a senhora esta segura aqui? Ela não vai saber se disser ou não!
- não existe lugar seguro, senhor! Eu já sei que vou morrer! Vou para o inferno! Eu já sei! Mas se eu falar vou ser mais castigada! Não posso!
- Esta bem! Não diga então! Mas vai ter que dizer porque seu filho quer mata-la!
A mulher se calou e abaixou a cabeça – Eu assistia o meu marido e meu sobrinho a castigar ele, eu me sentia bem o vendo sofrer! Ele merecia!
- A senhora me enoja! – explodiu César, chamou um guarda que estava na porta – leve essa mulher daqui! – sentou-se apoiando a cabeça nos braços pensativo, ouviu Michel entrar – você sabe me explicar o que foi tudo isso?! Porque eu já estou cansado de tentar entender essa historia de demônios!
- César, eu também não entendi nada!
- Você não entendeu, ou não quer entender, Michel?! Porque tudo isso esta ligado a você! Isso eu já conclui faz tempo! – olhou o relógio – Vamos embora! Seu irmão vai chegar, quer uma carona até sua casa?!
Michel assentiu, pensava no que César dissera... será que não queria lembrar?!... Foi deixado na porta de seu apartamento, olhou para o céu escuro melancólico... quando entrou no apartamento ouviu uma voz rouca:
- Você demorou...
****************************
César esperava Dennis encostado no carro muito pensativo, se assustou quando Dennis o abraçou.
- Nossa! Nem me viu chegar! – falou Dennis ainda o abraçando.
- Desculpa. – deu um beijo carinhoso – é que estou muito preocupado...
- E o Mi?! Melhorou da tristeza que ele estava hoje cedo?
- Eu tinha até me esquecido disso! Quanto a isso você vai ficar até mais tranqüilo, ele até parece outra pessoa, ou o antigo Michel.
Dennis abraça fortemente César – Jura?! Mas isso é maravilhoso!... mas o que te preocupa?
- Essa historia toda! Estou confuso com muitas coisas, interroguei aquela mulher hoje!
- É eu sei, você disse... mas o que ela falou?
- Vamos comer algo, que eu te conto.
Dennis e César foram para um restaurante e César contara tudo o que acontecera...
- Porque ela disse que o Mi tem o cheiro dele?!
- Não sei, Dennis... ou melhor eu desconfio...
- De que?
- Ele não te falou que sonha com ele?! Que teve até visões?!... pois então, deve ter sido aí que eles se encontraram! Não vejo outra possibilidade! Já ouvi muitas historias de demônios, Dennis, sinceramente não gosto delas, falam que espíritos, anjos ou demônios falam através de sonhos! A mulher de quem a mãe de Christian se referia deve ser algum tipo de guardiã, essa historia é muito difícil de engolir, mas foi a única conclusão mais plausível que eu consegui!
Dennis fita fixamente nos olhos de César, segura em suas mãos: - Então o que eu vou te falar vai apenas confirmar o que você pensou, e esclarecer algumas coisas... mas não quero falar sobre isso agora – falou o acariciando – vamos para casa!
Ao chegarem no apartamento de César, ele começou a beijar Dennis calorosamente, que correspondia na mesma intensidade, estavam sem roupa quando chegaram na cama... César beijava toda extensão do corpo do parceiro, fazendo-o deleitar-se, Dennis inverte as posições, ficando em cima de César, beija por seu rosto, descendo até seus mamilos os mordendo, César suspira deliciado e propõe num sussurro para que fizessem um 69, Dennis sorri malicioso e abocanha o falo de César, este faz o mesmo introduzindo ainda dois dedos no anus de Dennis, que geme pedindo por mais... César o põe de quatro e começa a cavalga-lo, os dois num ritmo frenético gozam, e dormem abraçados...
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Michel olhava a figura em sua frente e mal acreditava em seus olhos... – É um sonho! – pensava transtornado, andou até onde ele estava, tocou seu rosto, viu ele sorrir com o delicado toque, Michel chorava.
- Sou real, amado.
Continua...